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Como você está comunicando?

Mapeando a comunicação violenta e construindo relações mais conscientes no trabalho



No ambiente de trabalhos, seja num escritório, numa reunião de equipe, numa chamada de 15 minutos ou na correria do pequeno negócio, a comunicação costuma ser o lugar onde tudo começa… e onde tudo desanda.

E ela nem sempre desanda com gritos, brigas ou discussões explícitas.Às vezes, o desgaste aparece no detalhe:

“Você não ouviu o que eu falei?” “Eu avisei, você que não entendeu.”

“Não tenho tempo pra isso agora.” “Se vira, dá um jeito.”

Essas frases acontecem todos os dias. E foi numa dessas cenas comuns, assistindo a uma troca atravessada entre duas pessoas exaustas, que me veio a pergunta:



Você está comunicando… ou só se defendendo?

A comunicação violenta aparece antes da violência e quase sempre sem intenção


Quando falo em comunicação violenta, não estou falando de agressões explícitas.Estou falando de:

  • interrupções constantes;

  • respostas reativas e atravessadas;

  • julgamentos disfarçados de “opinião”;

  • generalizações (“você sempre…” / “você nunca…”);

  • falta de escuta;

  • defensiva automática.


É a maneira como falamos quando estamos pressionados, inseguros, cansados ou sobrecarregados.

E trabalhando com RH, convivendo com equipes sob pressão, estando eu sob pressão, aprendi algo importante: a violência na comunicação quase nunca nasce da intenção, mas do estado interno de cada pessoa.

A forma como a gente fala revela como a gente está.

CNV não é “falar fofinho”. É falar com consciência.


A Comunicação Não Violenta (CNV), ao contrário do que muita gente imagina, não é sobre suavizar tudo ou evitar desconfortos. É sobre assertividade, consciência e humanização.

Os quatro pilares são simples, difíceis de aplicar, mas simples de entender:

  1. Observar sem julgar;

  2. Nomear sentimentos;

  3. Reconhecer necessidades;

  4. Fazer pedidos claros.


E quando eu entrei para o Clube de Leitura de Comunicação Não Violenta e Antirracista, coordenado por Eva Bonfim e Raissa Aline, percebi na prática: comunicar é também posicionar. É reconhecer contextos, histórias, atravessamentos, desigualdades e formas de existir.



Comunicação é cultura, não é ferramenta


Esse ponto é central.

Você pode aprender técnicas, frameworks, scripts…Mas se a sua cultura for baseada na pressa, na escassez e na defensiva, as técnicas não sustentam nada.


A comunicação violenta acontece quando:

  • o medo de errar é maior que a vontade de contribuir;

  • a urgência atropela a clareza;

  • a sobrecarga vira normal;

  • as pessoas se sentem descartáveis ou invisíveis;

  • ninguém se sente seguro para dizer “não entendi”.


E isso vale tanto pra empresas quanto pra empreendedores autônomos. Quem trabalha sozinho também se esgota sozinho e comunica desse lugar.


O Mapa da Comunicação Violenta x Não Violenta


Quadro comparativo comunicação violenta x comunicação não violenta
Como você está comunicando?

Por que isso importa para empreendedores e profissionais?


Porque comunicação não é sobre falar. É sobre gerar impacto e impacto exige consciência.


Aqui estão resultados reais que observo na prática:

  • Melhora a tomada de decisão (menos ruído, mais clareza);

  • Evita conflitos desnecessários (e economiza energia emocional);

  • Acelera processos (quando todo mundo entende o que precisa);

  • Aumenta a confiabilidade (as pessoas confiam em quem comunica bem);

  • Reduz esgotamento relacional (o burnout também é feito de conversas pesadas);

  • Cria ambientes seguros (onde as pessoas falam a verdade, não o que é aceitável).


Comunicação é eficiência emocional.


Dois diálogos que explicam tudo


Conflito destrutivo

— Você nunca me escuta!

— Também, você só reclama!

— Não dá pra você ser mais claro?

— Ah, então a culpa é minha?


Resultado: ninguém se entende, ninguém resolve.



Conflito produtivo (com CNV aplicada de forma realista)

— Quando eu explico e você responde rápido, eu sinto que não fui compreendido.

— Entendo. Minha urgência hoje está alta, mas posso te ouvir com calma agora.

— Eu preciso de mais clareza pra executar.

— Vamos alinhar juntos o que cada um espera?


Resultado: tensão transformada em solução.


Como aplicar no seu dia a dia (checklist)


  1. Respire antes de responder.

  2. Troque julgamento por curiosidade.

  3. Fale sobre o que você sente, não sobre o que o outro “é”.

  4. Peça clareza, não adivinhe.

  5. Não reaja na mesma velocidade da urgência alheia.


Simples? Sim.

Fácil? Não.

Transformador? Muito.


E para fechar...

A forma como a gente comunica é a forma como a gente existe no mundo.

E, no trabalho, essa existência cria cultura, que pode aproximar, respeitar e construir… ou desgastar, corroer e afastar.


Comunicar bem é cuidar de si, do outro e do trabalho. É um ato político, emocional e profundamente humano.


E se você quer aprender a aplicar isso no seu time, na sua rotina ou no seu negócio, continue acompanhando o Gestão Preta. Toda semana temos reflexões, ferramentas e práticas para transformar relações de dentro pra fora.

 
 
 
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