Como você está comunicando?
- Gestao preta
- 22 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Mapeando a comunicação violenta e construindo relações mais conscientes no trabalho

No ambiente de trabalhos, seja num escritório, numa reunião de equipe, numa chamada de 15 minutos ou na correria do pequeno negócio, a comunicação costuma ser o lugar onde tudo começa… e onde tudo desanda.
E ela nem sempre desanda com gritos, brigas ou discussões explícitas.Às vezes, o desgaste aparece no detalhe:
“Você não ouviu o que eu falei?” “Eu avisei, você que não entendeu.”
“Não tenho tempo pra isso agora.”
“Se vira, dá um jeito.”
Essas frases acontecem todos os dias. E foi numa dessas cenas comuns, assistindo a uma troca atravessada entre duas pessoas exaustas, que me veio a pergunta:

Você está comunicando… ou só se defendendo?
A comunicação violenta aparece antes da violência e quase sempre sem intenção
Quando falo em comunicação violenta, não estou falando de agressões explícitas.Estou falando de:
interrupções constantes;
respostas reativas e atravessadas;
julgamentos disfarçados de “opinião”;
generalizações (“você sempre…” / “você nunca…”);
falta de escuta;
defensiva automática.
É a maneira como falamos quando estamos pressionados, inseguros, cansados ou sobrecarregados.
E trabalhando com RH, convivendo com equipes sob pressão, estando eu sob pressão, aprendi algo importante: a violência na comunicação quase nunca nasce da intenção, mas do estado interno de cada pessoa.
A forma como a gente fala revela como a gente está.
CNV não é “falar fofinho”. É falar com consciência.
A Comunicação Não Violenta (CNV), ao contrário do que muita gente imagina, não é sobre suavizar tudo ou evitar desconfortos. É sobre assertividade, consciência e humanização.
Os quatro pilares são simples, difíceis de aplicar, mas simples de entender:
Observar sem julgar;
Nomear sentimentos;
Reconhecer necessidades;
Fazer pedidos claros.
E quando eu entrei para o Clube de Leitura de Comunicação Não Violenta e Antirracista, coordenado por Eva Bonfim e Raissa Aline, percebi na prática: comunicar é também posicionar. É reconhecer contextos, histórias, atravessamentos, desigualdades e formas de existir.
Comunicação é cultura, não é ferramenta
Esse ponto é central.
Você pode aprender técnicas, frameworks, scripts…Mas se a sua cultura for baseada na pressa, na escassez e na defensiva, as técnicas não sustentam nada.
A comunicação violenta acontece quando:
o medo de errar é maior que a vontade de contribuir;
a urgência atropela a clareza;
a sobrecarga vira normal;
as pessoas se sentem descartáveis ou invisíveis;
ninguém se sente seguro para dizer “não entendi”.
E isso vale tanto pra empresas quanto pra empreendedores autônomos. Quem trabalha sozinho também se esgota sozinho e comunica desse lugar.
O Mapa da Comunicação Violenta x Não Violenta

Por que isso importa para empreendedores e profissionais?
Porque comunicação não é sobre falar. É sobre gerar impacto e impacto exige consciência.
Aqui estão resultados reais que observo na prática:
Melhora a tomada de decisão (menos ruído, mais clareza);
Evita conflitos desnecessários (e economiza energia emocional);
Acelera processos (quando todo mundo entende o que precisa);
Aumenta a confiabilidade (as pessoas confiam em quem comunica bem);
Reduz esgotamento relacional (o burnout também é feito de conversas pesadas);
Cria ambientes seguros (onde as pessoas falam a verdade, não o que é aceitável).
Comunicação é eficiência emocional.
Dois diálogos que explicam tudo
Conflito destrutivo
— Você nunca me escuta!
— Também, você só reclama!
— Não dá pra você ser mais claro?
— Ah, então a culpa é minha?
Resultado: ninguém se entende, ninguém resolve.

Conflito produtivo (com CNV aplicada de forma realista)
— Quando eu explico e você responde rápido, eu sinto que não fui compreendido.
— Entendo. Minha urgência hoje está alta, mas posso te ouvir com calma agora.
— Eu preciso de mais clareza pra executar.
— Vamos alinhar juntos o que cada um espera?
Resultado: tensão transformada em solução.
Como aplicar no seu dia a dia (checklist)
Respire antes de responder.
Troque julgamento por curiosidade.
Fale sobre o que você sente, não sobre o que o outro “é”.
Peça clareza, não adivinhe.
Não reaja na mesma velocidade da urgência alheia.
Simples? Sim.
Fácil? Não.
Transformador? Muito.
E para fechar...
A forma como a gente comunica é a forma como a gente existe no mundo.
E, no trabalho, essa existência cria cultura, que pode aproximar, respeitar e construir… ou desgastar, corroer e afastar.
Comunicar bem é cuidar de si, do outro e do trabalho. É um ato político, emocional e profundamente humano.
E se você quer aprender a aplicar isso no seu time, na sua rotina ou no seu negócio, continue acompanhando o Gestão Preta. Toda semana temos reflexões, ferramentas e práticas para transformar relações de dentro pra fora.





