Antes do palco, existe caminho: conheça as cinco finalistas do Mira Lab
Após uma jornada formativa com 20 cantoras negras independentes de Salvador, Briane Capinan, Cila Bispo, Dandda, Nayri e Tamara Coral avançam para uma nova etapa de desenvolvimento musical, ensaios e produção audiovisual.

Cantoras participantes da jornada formativa do Mira Lab, na sede do Instituto A Mulherada e especialistas. Foto: Equipe Mira Lab.
Briane Capinan, Cila Bispo, Dandda, Nayri e Tamara Coral são as cinco finalistas do Mira Lab. Elas seguem agora para uma nova fase de uma jornada que articula formação, criação artística, desenvolvimento musical, produção audiovisual e fortalecimento de carreira.
Essa etapa representa a continuidade de um processo que começou antes do palco. Ao longo da primeira etapa, 20 cantoras participaram de masterclasses, atividades práticas e experiências voltadas à profissionalização de suas trajetórias na música.
O que é o Mira Lab
O Mira Lab é uma jornada gratuita de formação, mentoria e criação artística voltada para cantoras negras independentes de Salvador, com ênfase no fortalecimento profissional, criativo e econômico de mulheres negras de territórios periféricos.
O projeto é executado pelo Instituto A Mulherada e idealizado pela iniciativa Mira – Elas na Música. A ação é viabilizada por meio de Convênio de Cooperação Financeira firmado entre o Instituto A Mulherada e a Fundação Banco do Brasil, no âmbito da Seleção Pública de Projetos voltados ao Empoderamento Socioeconômico das Mulheres Negras.
A proposta se conecta à trajetória do Instituto A Mulherada, organização feminista negra com mais de duas décadas de atuação em Salvador, desenvolvendo ações relacionadas aos direitos das mulheres negras, à autonomia econômica, à educação e à afirmação cultural.
À frente da idealização está Carol Rodrigues, idealizadora da iniciativa Mira – Elas na Música, produtora cultural e coordenadora do Mira Lab. O projeto foi construído a partir da observação do mercado musical, da escuta de diferentes trajetórias e do desejo de ampliar caminhos para mulheres negras na música.

Cantoras: Karyne Allves, Cila Bispo e Jaqueline Nascimento. Foto: equipe Mira Lab.
Como funcionou a jornada formativa
A primeira etapa reuniu 20 cantoras em uma jornada de masterclasses conduzidas por especialistas convidadas. Os encontros abordaram dimensões fundamentais para a construção de uma carreira artística, como desenvolvimento musical, comunicação, presença, criação, planejamento, profissionalização e circulação.
O processo de classificação foi realizado a partir das avaliações das mentoras ao longo das masterclasses, considerando os desafios propostos em cada encontro e critérios como empenho, criatividade e entrega das atividades.
As cinco cantoras com maior pontuação seguem agora para uma nova fase do projeto, que inclui ensaios, desenvolvimento musical, produção audiovisual e a possibilidade de acesso a uma capital semente de R$ 5.000 para investimento em suas carreiras.
Conheça as cinco finalistas
Briane Capinan
Cantora, compositora e atriz baiana, Briane Capinan iniciou sua trajetória musical em 2015. Sua música expressa o amor em diferentes nuances, atravessando vivências pessoais, ancestralidade e cultura afro-brasileira.
Seu trabalho mistura afoxé, afrobeat, swingueira e ritmos baianos, criando uma sonoridade marcada pela autenticidade, pela memória e pela força de sua trajetória.
Cila Bispo
Cantora, artista da voz, compositora, intérprete e comunicadora, Cila Bispo desenvolve uma trajetória que conecta cultura, aprendizagem e transformação, reafirmando que uma carreira artística também precisa de estrutura, rede e oportunidade para se sustentar.
Seu repertório parte do reggae para transitar por gêneros como samba, reggae, forró, MPB, samba-reggae, articulando afeto, consciência, pertencimento e conexão com suas raízes.
Dandda
Natural de Salvador, Dandda é cantora e compositora e integra a nova geração da música baiana. Desde o lançamento de seu primeiro single, “Trapsoul”, em 2021, vem construindo uma identidade musical marcada pela versatilidade e pela presença artística.
Com o pop como base de sua sonoridade, incorpora elementos de R&B, soul, afrobeats e ritmos latinos, resultando em um trabalho contemporâneo, urbano e cheio de personalidade.
Nayri
Nayri é multiartista brasileira, cantora, escritora, performer e pesquisadora. Constrói sua trajetória a partir da poesia e expande sua atuação para a música, com presença em saraus, slams e festivais.
Sua poética costura oralidade, memória e amor como tecnologia de recusa às pedagogias da violência racial, em diálogo com texturas do soul, jazz e R&B.
Tamara Coral
Cantora, compositora e multiartista soteropolitana, Tamara Coral transita entre MPB, R&B, samba e outras brasilidades para cantar o amor, a liberdade, a identidade e os processos de transformação.
Sua atuação artística também se estende à fotografia, ao artesanato e à produção cultural, construindo uma expressão sensível e plural. Estudante de Produção Cultural na UFBA e integrante do grupo de teatro de rua A Pombagem, acredita na arte como ferramenta de encontro, afeto e mudança social.
Nota de transparência
Cila Bispo é a expressão artística de Priscila Bispo, cofundadora do Gestão Preta. Por essa razão, sua presença entre as finalistas também representa um marco especial para a nossa trajetória.
O processo de avaliação e seleção foi conduzido pelo Mira Lab, a partir das atividades, entregas e critérios definidos ao longo da jornada formativa.
Para o Gestão Preta, acompanhar essa conquista é reconhecer, de maneira concreta, que arte, formação e gestão não caminham separadamente. Uma carreira artística também precisa de estrutura, planejamento, rede, circulação, investimento e oportunidades para se sustentar.
Por que iniciativas como o Mira Lab importam
Salvador é uma cidade profundamente marcada pela força da música negra. Essa potência, no entanto, não elimina as barreiras enfrentadas por artistas independentes na construção de suas carreiras.
Ter talento e produzir um bom trabalho não garante, por si só, acesso a estúdios, orientação profissional, redes de contato, circulação, investimentos ou oportunidades de lançamento.
Ao reunir formação, experiências práticas, produção artística e apoio financeiro, o Mira Lab contribui para aproximar a criação musical das estruturas necessárias para que uma carreira possa avançar.
O projeto também evidencia que pertencimento, redes de apoio e laços de confiança fazem parte da profissionalização artística.
A formação não acontece apenas nos conteúdos oferecidos. Ela também se constrói nas conversas, nos encontros, nas referências compartilhadas e nas conexões desenvolvidas ao longo do processo.
Para mulheres pretas na música, encontrar espaços de escuta, reconhecimento e troca pode representar a possibilidade de permanecer, experimentar, amadurecer escolhas e construir novos caminhos.
Talento precisa de formação, rede, oportunidade e continuidade.
O olhar do Gestão Preta
Como mídia, o Gestão Preta acompanha e dá visibilidade a iniciativas que fortalecem trajetórias negras na arte, na cultura, no trabalho e na gestão. O Mira Lab se conecta diretamente a esse olhar por reconhecer que uma carreira artística também precisa de estrutura, planejamento, rede, circulação e investimento.
Ao noticiar o projeto e apresentar suas finalistas, o Gestão Preta reforça a importância de registrar experiências que ampliam possibilidades para mulheres negras que criam, produzem e movimentam seus territórios.
Antes do palco, existem ensaios, escolhas, estudo, planejamento, encontros, tentativas e redes de apoio. É esse caminho que permite transformar potência artística em presença, circulação e futuro.
Conheça e acompanhe as participantes
Alissan:
Ana Sales
Briane Capinan
Cila Bispo
Cláudia Cazzúl
Dandda
Eufrásia Neres
Jaqueline Nascimento
Karyne Allves
Letrada
Lívia Ferreira
Nayri
Paraguassu
Raissa Araújo
Tamara Coral
O projeto: Mira Lab
Coordenadora: Carol Rodrigues
Instituto A Mulherada: https://www.instagram.com/amulheradaoficial/



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